quinta-feira, 18 de setembro de 2008

"O que tenho pra te dar
é clara e suave luz primeira do dia

É poesia
riso e gosto de sal na boca
(conquanto o que tenha pra te dar seja doce)

Tenho para ti notas
solfejos e sonatas
tenho terra e alegria pueril
fúria de mar e vento e gozo
passadas incertas porém firmes
luz e sono

O que tenho pra te dar
não pode ser mensurado por palavras
mas pode-se tocar com as mãos
(nos braços da chuva virá o que tenho pra ti)

A ti te dou sonhos
vertigens e amanheceres
na alba
clara e suave

luz primeira da manhã"

quarta-feira, 23 de julho de 2008


da minha certidão de ser:

mato recém-criado
nascido do Amor da terra pela água
(lama)
- guarde-reios de sutilezas -

sexta-feira, 27 de junho de 2008

The Masquerade

“É você quem eu quero
mas o outro você
o que está por trás

De você eu quero
aquele que está no escuro
o doente
o febril
quero aquele
escondido no vazio
o das sombras
o insuspeito

Não quero de você
o adorado, o sorridente
o as multidões, este
Desejo, antes
o de alma atormentada
o dos versos escusos
De você só me interessam
as rimas em fúria
o olhar em segredo
É a sua vertigem
o que desejo

(quero as dores que te freqüentam)

Dentro de você, outro você
outro, esconso
você outro
quero o outro
o outro você
quero o outro você

Só me interesso
pelo que está por trás”

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Réstia

"e quanto a mim
sou planta

a planta autônoma e forte
se erguendo, muda
nas frestas do cimento mundo"

terça-feira, 3 de julho de 2007

dos meus dias:
9 horas a orçar
o valor das palavras alheias

dentre muitas
e tantas mais
nenhuma delas é minha
ou de você

(somos aqueles
que soletram a chuva

e areia)

segunda-feira, 26 de março de 2007

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

" E o Sol perguntou à Vênus :
- Veneranda Criatura, não te ocupas que te creiam estrela?
Ao que a Luz Primeira na Noite respondeu:
- Vá pra puta que te pariu!"

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

A esperança
o medo
a dor
os trilhos
os sons
as carências
ausências
excessos
a vida real
o devaneio
o desemprego
a flor
o gás
a memória
as saudades
o grito
o vinho derramado no sofá
o cão que uiva na rua
a rosa que desabrochou e morreu
a angústia de ser e não ter
a violência
a espera
a desesperança.

... e no meio de tudo
o Amor!

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

"Nunca li estrofe
ou conheci poeta
que versasse as folhas
Mas o perfume da calêndula
não é da flor
que ele vem não"




O Windows Live Messenger chegou! Confira já!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

terça-feira, 25 de outubro de 2005

"Quase morri de frio
por amor a quem não existia
Quase me perdi
a correr atrás de sombras

(pelo que não é
trouxe lágrimas ao reino)

Se hoje guardo luto
é pela morte de alguém
que existiu tão somente para mim

(pela mentira que foste
franzo meu cenho e
calo meu sorriso)

Mas assim que a chuva
lave as águas que chorei
porei minha alma
a quarar no sol
e hei de esquecer
que nunca, nesta vida
eu te conheci"

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

''há estilhaços de cacos
nos meus pés cansados
há um acúmulo de pedras
sem igual nos meus caminhos

(mas de noite
me guardas em teus braços
e eu adormeço)"

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

O Menino que Carregava Água na Peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos

Manoel de Barros

domingo, 7 de agosto de 2005

Queria fazer um poema tudo
um poema nos tons verdes de Vivaldi

Queria fazer um poema intenso
captação de imagens e fotogramas

Queria um Poema-Amigo
Mas Amigos não cabem em poema.
Amigos

extrapolam o amor....

sábado, 6 de agosto de 2005

Acordar ao teu lado é algo
que nunca saberia dizer

por isso
te ofereço os meus varais
para que estendas teus lençóis
alvos, farfalhando sonhos....

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Versinho pra quem tem medo de Amar


"Quem tem medo de Amar
tem coração que nem coração de passarinho
que se assusta fácil
e sai voando fugido

É menino triste
que pensa que Amor é gaiola

- Amor é gaiola não, menino,
gaiola é medo
Respira firme
que Amor é ipê!"


quarta-feira, 13 de julho de 2005


Oração

sempre buscando...
sempre errando...
sempre imperfeita...

Dai-me paz, senhor
paz sem medo
que encontro-me exausta, senhor
farta de ser e não ter sentido

sábado, 9 de julho de 2005


Poema Singelinho

"Às vezes parece um Erê
escondido atrás de uma gente grande
(muito grande).
Mas o que tem de mais adorável
são os olhos de sementinha
que dão vontade na gente de plantar,
cuidar e ficar torcendo
pra que tudo acabe dando em flor"

sexta-feira, 8 de julho de 2005

“O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...”
(Fernando Pessoa)

Um dia te conto de mim
Um dia
te conto do sim
(que se calou)

Um dia te encontro a sós
Um dia
te conto de nós

Um dia
me encorajo
e te encaro

Um dia te encontro
Um dia,
sim, um dia eu te encanto

domingo, 12 de junho de 2005

“ No dia em que você me deixou meu olhar de revés marejou coração de céu claro morava no peito e aquele dia aluou E de tanto buscar voz alta em mim dizia m`arrebatou maré esconsa, neblinei e a delicadeza no amanhecer tormentou Delicadeza neblinei, neblinei marejou E no jardim que a gente plantou minha flor mal-me-quis, estancou terreno só, desfolhado e o pranto chorado meu broto regou E de tanto acabrunhar mundo todo dizia desatinou peito às tontas, neblinei e a delicadeza no anoitecer tormentou Delicadeza neblinei, neblinei marejou Mas no dia em que você voltou semente se abriu, deu em flor e o girassol florado da terra tombado pro céu se voltou e de tanto esperar riso solto corria e o sol voltou Pro seu recanto, clarejei e a delicadeza até que enfim descansou Delicadeza sublimei, sublimei clarejou"

quarta-feira, 25 de maio de 2005

REVOLTA
"E antes
que possa voltar a pousar
sobre os nossos ombros
a mão que insulta a beleza,
eu lhe aconselho:
apague a luz do picadeiro
não faço parte do teu circo"

terça-feira, 24 de maio de 2005

AINDA QUE MAL PERGUNTE
(Fernando Pessoa)

Ainda que mal te pergunte,
Ainda que mal respondas;
Ainda que mal te entenda,
Ainda que mal repitas;
Ainda que mal insistas,
Ainda que mal desculpes;
Ainda que mal me exprima,
Ainda que mal me julgues;
Ainda que mal me mostre,
Ainda que mal te encare,
Ainda que mal te furtes;
Ainda que mal te siga,
Ainda que mal te voltes;
Ainda que mal te ame,
Ainda que mal o saibas;
Ainda que mal te agarre,
Ainda que mal te mates;
Ainda assim, pergunto: Me amas?
E me queimando em teu peito
Me salvo e me dano...
...de Amor!!!

quinta-feira, 19 de maio de 2005

“O menino doce
me marcou na pele um cheiro
que não me deixa dormir direito

Um cheiro na pele
na face, nos cabelos

E no lado de meus lábios
o gosto incompleto de um beijo”

sexta-feira, 13 de maio de 2005

POEMAS DO CáRCERE
( Da Negação do Amor)

“Maldigo o dia
a hora em que te conheci
Maldigo as vozes e os versos
que te trouxeram a mim

Renego todas as tardes
em que estiveste ao meu lado
Todos os olhares em arabescos
com que te desenhei

Rejeito todos os risos
e todos os riscos
Rejeito este amor que tenho
sem nunca tê-lo tido

Desminto agora
a poesia que há em ti
Rasuro todas as letras
com que um dia te rimei
De hora em diante
Nego-te
todas as minhas estrofes!

Repudio a vertigem da tua presença
e esconjuro a ausência
do teu corpo no meu
Desprezo o descompasso
de minhas veias
no cingir dos olhos teus

Menosprezo-lhe o figmento
o fingimento
as amarras
as farsas
as máscaras

E sobretudo
abjuro
o todo de ti
que se fez tão covarde em mim.”

quinta-feira, 5 de maio de 2005

POEMAS DO CÁRCERE
(Do amor recorrente)

"De tudo o que não houvemos de ter
sabe em mim o sabor
da tua luxúria em sonhos"

terça-feira, 19 de abril de 2005

POEMAS DO CÁRCERE
(Do amor reconhecido)

Eu sou aquela que vela
a ausência do teu corpo dormente
aquela que se fizera erva
e se quisera hera
a crescer nos teus quintais

Sou aquela que se perdera
no calor da espera
e do não ter
em que te tenho tido
tua última quimera
se me faz presente
tão logo em mim se encerra

Sou aquela que é noite
e na noite que inverna
Sou aquela que soletra
o teu Amor num vão

quarta-feira, 13 de abril de 2005